J.M.Coetzee diz em seu Diário de um ano ruim que uma prova de que o mundo na verdade é um bom lugar, e que talvez até exista um Deus misericordioso que olhe por nós, é que cada pessoa que nasce recebe de herança, sem que tenha feito nada para merecer isso, a música de Johann Sebastian Bach.
Às vezes penso que se por alguma catástrofe todas as músicas e partituras e gravações fossem perdidas, uma irmandade de músicos se reuniria para tentar recriar, conforme indicações dos que as conheciam, pelo menos algumas obras de Bach, para que as gerações futuras tivessem alguma esperança. Sim, como em Fahrenheit 451, mas pense bem: pode-se viver sem Ulisses ou Anna Karenina, mas não é justo se viver sem Bach!
Clique na "animação musical" abaixo e faça sua vida melhor!
Mostrando postagens com marcador Música. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Música. Mostrar todas as postagens
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
sábado, 10 de julho de 2010
De volta ao chet
Meu amigo Chet é para mim o grande mistério do Jazz. Como cabia tanta doçura em um homem tão cabeçudo, destrutivo, destruído. Acho que isso é viver as paixões a cada momento. Você perde, mas a arte ganha. Nós também.
segunda-feira, 5 de julho de 2010
Tem coisas que só o Chico faz por ti
"Mesmo que você feche os ouvidos
E as janelas do vestido
Minha musa vai cair em tentação
Mesmo porque estou falando grego
Com sua imaginação
Mesmo que você fuja de mim
Por labirintos e alçapões
Saiba que os poetas como os cegos
Podem ver na escuridão
E eis que, menos sábios do que antes
Os seus lábios ofegantes
Hão de se entregar assim:
Me leve até o fim
Me leve até o fim"
Choro Bandido, Chico Buarque
E as janelas do vestido
Minha musa vai cair em tentação
Mesmo porque estou falando grego
Com sua imaginação
Mesmo que você fuja de mim
Por labirintos e alçapões
Saiba que os poetas como os cegos
Podem ver na escuridão
E eis que, menos sábios do que antes
Os seus lábios ofegantes
Hão de se entregar assim:
Me leve até o fim
Me leve até o fim"
Choro Bandido, Chico Buarque
sexta-feira, 4 de junho de 2010
Descobri Chet Baker na capa de um disco
Era um LP que compramos para um colega, com uma vaquinha no trabalho. A capa me chamou a atenção, uma foto antiga e amarrotada, um rosto sofrido. Era a trilha sonora de Let's get lost, filme de Bruce Weber sobre Chet Baker. A voz que conheci no clip abaixo e não cansa de me emocionar.
Foi uma revelação essa canção (de Elvis costello, imagine só!) e foi um custo encontrar o disco para mim. Foi o primeiro CD que comprei, quando os players eram caros e eu não podia ter um. Logo estava colecionando seus CDs, muitos dos quais fui perdendo para amigos que os pediam emprestados, mas tudo bem, que ele faça aos outros o que fez por mim.
Foi uma revelação essa canção (de Elvis costello, imagine só!) e foi um custo encontrar o disco para mim. Foi o primeiro CD que comprei, quando os players eram caros e eu não podia ter um. Logo estava colecionando seus CDs, muitos dos quais fui perdendo para amigos que os pediam emprestados, mas tudo bem, que ele faça aos outros o que fez por mim.
sexta-feira, 21 de maio de 2010
If tomorrow never comes I
Quando Renato russo lançou seu Stonewall cellebration muito se comentou sobre a maneira como ele assumidamente transformava as letras para falar de outro homem. Felizmente, as críticas positivas quanto à qualidade musical do disco superaram um certo ranço homofóbico da época. Exceto por 'aqueles teclados', é um disco cuja qualidade ainda me espanta. Renato cantava o que gostava, e escolhia letras que expressavam o que sentia. Não tinha medo de soar kitsch e o exagero era parte essencial de sua expressão. Ouça seu "Somewhere" e entenda.
quarta-feira, 31 de março de 2010
"A arte é uma amante ciumenta"
É o que dizia nosso regente, Marco Antonio da Silva Ramos, nos ensaios que alternavam piadas e alta concentração. Sabia que todos trabalhávamos em outras coisas e que dedicávamos à música uma pequena parcea de nossas horas, e isso nem sempre era suficiente. "O coro é amador mas o público não tem nada a ver com isso", dizia também, instigando-nos a dar o máximo pela qualidade daquele nosso 'segundo trabalho'. Sempre defendo esse conceito de 'segundo trabalho' para uma manifestação artística, se não trabalhamos com arte. Não é o que fazemos para viver, mas é o que vivemos para fazer!
Não gosto do conceito de hobby, pois remete a algo que fazemos sem maiores compromissos ou, pior, ao que realmente gostamos de fazer, mas a que não podemos dedicar tempo pois "temos de trabalhar". Acho que devemos sempre encontrar prazer em nosso trabalho, pois é a ele que dedicamos a maior parte do dia. Mas de tanto nos esforçarmos no trabalho oficial acabamos nos cansando e perdendo a perspectiva e a capacidade de resolver problemas (que é o que mais fazemos). A solução é ter outra atividade igualmente demandante, mas que nos exija outra parte do cérebro (ou o outro lado, simplesmente). Música, dança, pintura, são coisas que exigem concentração e esforço; ao nos dedicarmos a elas, acabamos nos desligando dos problemas 'normais', descansando as áreas do cérebro envolvidas com eles; quando voltamos, conseguimos ter uma melhor perspectiva e ser mais eficazes.
O único problema é o título deste texto: a amante às vezes é tão exigente que começa a pedir o tempo que precisamos dedicar à 'patroa', e então temos de escolher. Sei que parece canalhice, mas fazer o quê... Depois de dois anos, vou precisar parar uma atividade artística que me dá muito prazer, mas que não vale a pena fazer mal feita. A separação é difícil, amarga mesmo, mas não tem jeito. É como na canção do Vanzolini:
Cheguei na boca da noite,
saí de madrugada.
Eu não disse que ficava
nem você perguntou nada.
Na hora que eu ia indo,
dormia tão descansada.
Respiração tão macia...
Morena, nem parecia
que a fronha estava molhada.
...
O vento vai para onde quer,
a água corre pro mar.
Nuvem alta em mão de vento
é o jeito da água voltar.
Morena se acaso um dia
tempestade te apanhar,
não foge da ventania,
da chuva que rodopia,
sou eu mesmo a te abraçar!
Não gosto do conceito de hobby, pois remete a algo que fazemos sem maiores compromissos ou, pior, ao que realmente gostamos de fazer, mas a que não podemos dedicar tempo pois "temos de trabalhar". Acho que devemos sempre encontrar prazer em nosso trabalho, pois é a ele que dedicamos a maior parte do dia. Mas de tanto nos esforçarmos no trabalho oficial acabamos nos cansando e perdendo a perspectiva e a capacidade de resolver problemas (que é o que mais fazemos). A solução é ter outra atividade igualmente demandante, mas que nos exija outra parte do cérebro (ou o outro lado, simplesmente). Música, dança, pintura, são coisas que exigem concentração e esforço; ao nos dedicarmos a elas, acabamos nos desligando dos problemas 'normais', descansando as áreas do cérebro envolvidas com eles; quando voltamos, conseguimos ter uma melhor perspectiva e ser mais eficazes.
O único problema é o título deste texto: a amante às vezes é tão exigente que começa a pedir o tempo que precisamos dedicar à 'patroa', e então temos de escolher. Sei que parece canalhice, mas fazer o quê... Depois de dois anos, vou precisar parar uma atividade artística que me dá muito prazer, mas que não vale a pena fazer mal feita. A separação é difícil, amarga mesmo, mas não tem jeito. É como na canção do Vanzolini:
Cheguei na boca da noite,
saí de madrugada.
Eu não disse que ficava
nem você perguntou nada.
Na hora que eu ia indo,
dormia tão descansada.
Respiração tão macia...
Morena, nem parecia
que a fronha estava molhada.
...
O vento vai para onde quer,
a água corre pro mar.
Nuvem alta em mão de vento
é o jeito da água voltar.
Morena se acaso um dia
tempestade te apanhar,
não foge da ventania,
da chuva que rodopia,
sou eu mesmo a te abraçar!
segunda-feira, 22 de março de 2010
Blues na conferência
No fundo, eu estava torcendo para o Vitor me 'forçar' a participar do show de talentos. Ele me ouvira tocar harmônica um ano antes e achava que eu devia participar. Sou perfeccionista e há muito tempo que não pratico a gaita com frequência, mas adoro tocar, e a oportunidade era deliciosa. Mas tocar o quê? Estávamos no penúltimo dia de nossa conferência de vendas, a cabeça cheia de livros, cursos e estratégias, e eu tinha duas horas para me preparar... Lembrei das velhas dicas para amadores ("escolha alguma coisa que o público conheça") e comecei a tirar algumas músicas de filmes, mas achei que não ficaria perfeito; bolei um blues lento, mas sempre esbarrava na falta de acompanhamento... Meia hora antes de começar, fui 'assuntar' com o Alexandre e seu enorme repertório em iPhone, mas não havia nada que eu conhecesse e pudesse montar em tão pouco tempo. Bem que eu havia pensado no Igor, que canta e toca violão muito bem, mas sabia que ele também ia se apresentar...
É assim que complicamos as coisas quando não nos comunicamos: no fim, o Igor também queria um 'tempero' para seu Beatles, e fazer um merger de nossas apresentações foi a solução perfeita! Ainda bem que sempre tenho mais de uma gaita comigo, então a afinação bateu, e com dois minutos de ensaio estávamos prontos para enfrentar a platéia! Nosso programa duplo começou com Igor tocando e cantando Love me do, comigo fazendo a gaitinha do Lennon, mas depois ele emendou em um blues rápido, que me permitiu solar. Depois de um lick mais longo, devolvi a palavra para o violão do Igor, mas ele logo rebateu para mim e finalizamos nossa apresentação como uma jam. Grande Igor! Valeu!!!
É assim que complicamos as coisas quando não nos comunicamos: no fim, o Igor também queria um 'tempero' para seu Beatles, e fazer um merger de nossas apresentações foi a solução perfeita! Ainda bem que sempre tenho mais de uma gaita comigo, então a afinação bateu, e com dois minutos de ensaio estávamos prontos para enfrentar a platéia! Nosso programa duplo começou com Igor tocando e cantando Love me do, comigo fazendo a gaitinha do Lennon, mas depois ele emendou em um blues rápido, que me permitiu solar. Depois de um lick mais longo, devolvi a palavra para o violão do Igor, mas ele logo rebateu para mim e finalizamos nossa apresentação como uma jam. Grande Igor! Valeu!!!
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
O Zen e a arte de sobreviver no trânsito
O problema do conforto é nos deixar mal acostumados, dependentes dele, mas ainda assim parece que nunca estamos satisfeitos... Quando eu andava de ônibus todos os dias, tinha de acordar mais cedo e os dias de muito calor ou de chuva eram bem desconfortáveis, mas conseguia ler um livro por semana e ainda conseguia tirar um cochilo para descansar do trabalho antes de ir para a faculdade. Quando comecei a andar de carro, logo percebi algumas vantagens, como poder fazer mais de uma reunião ao longo do dia e ainda conseguir visitar amigos, mas logo começou a tensão com o trânsito... Todos os dias me desgastava com isso até que um autor me deu a dica: "o trânsito é ótimo", disse um dia, para interlocutores estarrecidos, "pois quando saio da agência estou normalmente estressado e irritado. Se eu chegasse em casa imediatamente, com certeza iria me irritar com alguma coisa, brigar com os filhos ou discutir com a mulher. Mas com o trânsito tenho no mínimo uma hora para ouvir meus discos e relaxar, e quando estou em casa posso aproveitar a família." Claro que não acreditei nele na hora, mas depois fiz o que ele sugeriu e minha vida melhorou muito! É fácil a gente reclamar do que está vivendo, e às vezes é difícil encontrar alguma coisa de bom em uma situação (com tantas tempestates que enfrentamos diariamente), mas sempre é bom lembrar daquele conto zen em que uma pessoa se pendura em um precipício, para fugir de um tigre e, prestes a cair, vê um morango. Ele come o morango e murmura: "que delícia".
Assinar:
Postagens (Atom)